
UMA MULHER É UMA MULHER (1961)
Une femme est une femme
| Outros Títulos: | La donna è donna (Itália) Eine frau ist eine frau (Alemanha) A woman Is a woman (USA Una mujer es una mujer (Espanha) |
| Pais: | França, Itália |
| Gênero: | Comédia |
| Direção: | Jean-Luc Godard |
| Roteiro: | Jean-Luc Godard |
| Produção: | Carlo Ponti, Georges de Beauregard |
| Design Produção: | Bernard Evein |
| Música Original: | Michel Legrand |
| Fotografia: | Raoul Coutard |
| Edição: | Agnès Guillemot, Lila Herman |
| Figurino: | Jacqueline Moreau |
| Efeitos Sonoros: | Guy Villette |
| Nota: | 8.1 |
| Filme Assistido em: | 1962 |
| Jean-Claude Brialy | Émile Récamier |
| Anna Karina | Angela |
| Jean-Paul Belmondo | Alfred Lubitsch |
| Jeanne Moreau | Mulher no Bar |
| Henri Attal | Falso cego |
| Dominique Zardi | Falso cego |
| Nicole Paquin | Suzanne |
| Marie Dubois | Amiga de Angela |
| Catherine Demongeot | Zazie |
| Dorothée Blank | Prostituta |
| Gisèle Sandré | Prostituta |
| Marion Sarraut | Prostituta |
| Ernest Menzer | Proprietário do Bar |
Festival Internacional de Berlim, Alemanha
Prêmio Urso de Prata de Melhor Atriz (Anna Karina)
Prêmio Especial (Jean-Luc Godard)
Festival Internacional de Berlim, Alemanha
Prêmio Urso de Ouro (Jean-Luc Godard)
Angela é uma bela jovem que trabalha como stripper numa casa noturna, a Zodiac, e vive com seu amante, o vendedor de livros Émile Récamier. Seu maior desejo é o de ter um filho mas, toda vez que coloca o assunto para Émile, este não aceita a idéia. O grande prazer do jovem parece ser estar com sua bicicleta, que ele a usa até dentro do pequeno apartamento onde moram.
Certa noite, ao verificar que se encontra no melhor dia de seu período fértil, ela aguarda ansiosa a chegada de Émile para mais uma investida, já que não está a fim de perder aquela oportunidade. Ao chegar em casa, depois de mais um exaustivo dia na livraria, Émile não quer outra coisa além de assistir pela TV a um jogo de futebol.
Por outro lado, Angela sofre com as constantes investidas de Alfred Lubitsch, o maior amigo do casal. Nele, ela vê a possibilidade de conseguir o filho que tanto deseja, mas na realidade ela ama Émile. Diante da insistência da mulher, um dia Émile pergunta a Alfred se ele não está disposto a fazer um filho com Angela, deixando-o constrangido.
No dia seguinte, Alfred telefona para Angela marcando um encontro no Bar do Marcel a fim de conversarem. Antes de ir ao tal encontro, uma amiga lhe diz que Émile lhe pediu para espioná-la, pois tem medo que ela venha a sair com Alfred. Tal fato faz com que ela resolva fazer ciúmes ao amante, utilizando-se exatamente de seu maior amigo. No Bar do Marcel, Alfred mais uma vez confessa seu amor por ela, deixando-a indecisa, mas o amor que sente por Émile é muito grande.
Ela não cede aos apelos de Alfred e volta para casa, onde, desesperada, tenta mais uma vez convencer Émile a realizar o seu grande sonho. O amante, entretanto, continua inflexível em seu ponto de vista.
Na noite seguinte, ao chegar em casa, Angela diz para Émile que fora pra cama com Alfred, pois não desistira de ter seu bebê, mas que continua a amá-lo. Não acreditando nas palavras dela, ele lhe pergunta se ela o está enganando, ao que Angela responde: 'Talvez'.
Sentindo que caiu numa armadilha, pela primeira vez Émile fala em ter filhos. Na cama, o casal apaga a luz. Momentos depois, quando voltam a acendê-la, Émile diz para a mulher: "Angela, tu es infâme" ao que ela, sentindo-se vitoriosa, responde: "Non, je suis une femme", ou seja: "Angela, tu és infame", ao que ela responde: "Não, eu sou uma mulher".
"Uma Mulher é Uma Mulher" é mais uma pérola desse mestre da "nouvelle vague" francesa, Jean-Luc Godard. Aproveitando um roteiro extremamente simples, Godard explora as tensões que se desenvolvem no relacionamento de um casal, quando a mulher deseja desesperadamente ter um bebê, e o marido não aceita a idéia. Ele traduz para a tela, com brilhantismo, o comportamento da mulher da década de 60, após a repressão social e sexual sofrida nos anos 50.
No elenco, três ícones da "nouvelle vague": Jean-Claude Brialy, Jean-Paul Belmondo e Anna Karina, musa de Godard, com quem se casou em 03/03/1961. É interessante notar o fato de Godard aproveitar seu filme para citar outras pérolas da "nouvelle vague": Num Bar, em uma pequena ponta, Jeanne Moreau comenta que está filmando "Jules et Jim" e, num outro momento, Alfred diz que à noite vai passar na TV, "Acossado", respectivamente de François Truffaut e do próprio Godard.
Embora não se trate de um musical, onde os personagens cantam e dançam, Godard procura fazer um tributo aos musicais de Hollywood. Tendo à frente da trilha sonora o grande Michel Legrand, a música está bastante presente ao longo do filme, variando do jazz às canções francesas, destacando-se o momento em que, no Bar do Marcel, Alfred vai até uma jukebox e coloca "Tu te laisses aller", interpretada por Charles Aznavour, para Angela ouvir. Num outro momento, ao ser perguntada por que está triste, Angela responde que é porque gostaria de estar num musical com Gene Kelly e Cyd Charisse, coreografado por Bob Fosse.
Enfim, "Uma Mulher é Uma Mulher" é um filme imperdível.