Indicações
Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Fotografia
Academia Japonesa de Cinema, Japão
Prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira
Prêmios César - Academia das Artes do Cinema, França
César de Melhor Fotografia
César de Melhor Design de Produção
César de Melhor Edição
César de Melhor Figurino
Sinopse
Indochina, 1929. Após as férias escolares, uma jovem francesa, de 15 anos e meio, deixa seus dois irmãos e sua mãe, uma senhora que se tornou professora em uma pequena cidade, depois que se viu arruinada quando o mar alagou suas plantações de arroz e perdeu basicamente todos os seus bens. O ônibus que a leva à Saigon, onde estuda, atravessa um dos braços do Rio Mekong, na balsa que liga Sadec a Minh Long, ocasião em que ela conhece um jovem chinês rico, cerca de 15 anos mais velho que ela. Ele se apresenta dizendo que mora em Minh Long, na margem do rio, fora da cidade. Pertence à minoria rica, dona dos imóveis populares da Colônia. Ele está voltando de Paris, onde estudava finanças. Simpatizando com ela, o jovem se oferece para levá-la à Saigon, já que seu carro também se acha na balsa. Ela aceita o convite e lhe diz que faz o 2º ano colegial no Lycée Chasseloup-Laubat e que mora no Pensionato Lyautey. A ele, diz que já tem 17 anos.
Na tarde seguinte, ele volta ao pensionato onde ela mora, ficando a aguardá-la dentro de seu carro. Ao se encontrarem, ela se deixa conduzir até a garçonnière onde ele costuma receber suas amantes, localizada perto da movimentada rua de Chalon, o bairro chinês da cidade.
Por trás das persianas que filtram a luz, sob as pás do ventilador, seus corpos se entrelaçam, para ela primeiro prazer e, para ele, primeiro momento verdadeiro de amor, que eles sabem efêmeros. Ao saírem da garçonnière, ele a leva a um restaurante, onde fazem uma refeição acompanhada de um bom vinho. Na mesa, ele comenta que agora não poderia mais se casar com ela, uma vez que a cultura chinesa não lhe permite casar-se com uma mulher não virgem. Em resposta, ela lhe diz que acha ótimo, uma vez que não pretende se casar com um chinês.
Nos dias seguintes, eles voltam a fazer o mesmo programa. Numa das vezes, ao se encontrarem no restaurante, ele comenta que voltou da França para se casar com uma jovem que nem conhece. A data foi marcada pelas duas famílias há anos e ele não pode desobedecer a seu pai e esposar alguém que não seja de sua casta. A família da jovem, em princípio chocada com esse relacionamento, vê a seguir seu interesse: o chinês pode pagar as dívidas contraídas pelas trapalhadas do irmão mais velho, Pierre.
A jovem viaja com seu amante para a cidade onde moram sua mãe e seus dois irmãos. O encontro se dá num excelente restaurante. Lá, ele fala que sua família deixou a China quando foi proclamada a República, ocasião em que seu pai vendeu suas propriedades a japoneses, que já dominavam a Manchúria. Durante o jantar, os irmãos dela se comportam sem educação, chegando Pierre a ameaçá-lo.
Depois do encontro, a jovem segue com o amante para o hotel onde ele se acha hospedado. Transtornado pelos momentos hostis por que passou, o chinês dá-lhe uma bofetada, joga-a na cama e, rasgando sua calcinha, a estupra. Terminado o ato, ela lhe pergunta quanto ele pagaria pelo que lhe fez, se estivesse num bordel. Ele lhe pede, então, para que lhe diga o valor de que precisa. Ela lhe responde que sua mãe precisa de 500 piastras, que lhe são pagas.
Apesar desse episódio, ele se dá conta de que o que sente por ela é muito forte. Assim, procura seu pai para dizer-lhe que o amor que sente pela jovem francesa é tão forte que nunca mais voltará a acontecer em sua vida. Demonstrando não ter a mínima piedade dele, o pai insiste no casamento com a jovem que ele nunca viu.
Com a separação próxima, os amantes redobram seus encontros, mas o chinês falta ao último, depois de seu casamento, conforme combinado. Ela decide ir para a França e, quando o navio se afasta do cais, vê o carro dele estacionado junto a um dos Armazéns do porto. Lágrimas caem sobre seu rosto. Durante a travessia do Oceano Índico, uma valsa de Chopin é tocada no navio, fazendo com que ela chore ao se lembrar daquele homem de Cholon.
Muitos anos mais tarde, em Paris, ela recebe um telefonema do chinês, que se acha na cidade com a esposa. Intimidado e com a voz embargada, ele lhe diz que sabia que ela começara a escrever e que o irmão caçula morrera. Com dificuldade, confessa que ainda a ama e que vai continuar a amá-la até morrer.
Comentários
Baseado no romance autobiográfico de Marguerite Duras, que esteve envolvida em um escandaloso romance com um jovem chinês, na Indochina Francesa dos anos 20, “O Amante” é um ótimo filme do cineasta francês, Jean-Jacques Annaud.
Além de dirigir, o que faz com propriedade, Annaud também participa da confecção do roteiro, ao lado de Gérard Brach. Sua preocupação com os detalhes é um ponto que deve ser destacado. Para ele, os diálogos são importantes, mas os gestos e as expressões dos personagens merecem igual ou maior atenção.
A história gira em torno do relacionamento sexual entre uma jovem branca, de menor idade, e um homem chinês com mais de trinta anos, mas por trás de tudo isso, está um exame de como uma sociedade pode deformar as relações entre as pessoas.
A fotografia de Robert Fraisse é outro ponto alto do filme. No elenco, os dois atores principais estão muito bem, embora o filme marque a estréia de Jane March no cinema, aos 18 anos de idade.
CAA