
DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS (1976)
| Outros Títulos: | Dona Flor et ses deux maris (França) Dona Flor and her two husbands (USA) Dona Flor und ihre zwei ehemänner (Alemanha) Donna Flor e i suoi due mariti (Itália) |
| Pais: | Brasil |
| Gênero: | Comédia |
| Direção: | Bruno Barreto |
| Roteiro: | Bruno Barreto, Leopoldo Serran, Eduardo Coutinho |
| Produção: | Luiz Carlos Barreto, Newton Rique |
| Design Produção: | Anísio Medeiros |
| Música Original: | Chico Buarque de Hollanda, Francis Hime |
| Fotografia: | Murilo Salles |
| Edição: | Raimundo Higino |
| Figurino: | Anísio Medeiros |
| Maquiagem: | Jaque Monteiro |
| Efeitos Sonoros: | Walter Goulart, Victor Raposeiro, Roberto Leite |
| Efeitos Especiais: | Manoel de Araújo |
| Nota: | 7.5 |
| Filme Assistido em: | 1977 |
| Sônia Braga | Dona Flor 'Florípedes' Guimarães |
| José Wilker | Vladomiro 'Vadinho' Santos Guimarães |
| Mauro Mendonça | Dr. Teodoro Madureira |
| Nelson Xavier | Mirandão |
| Dinorah Brillanti | Rozilda |
| Nelson Dantas | Clodoaldo, o poeta |
| Cláudio Mamberti | Homem |
| Nilda Spencer | Dinorah, amiga de Flor |
| Betty Lago | Zizi |
| Mara Rúbia | Claudete |
| Betty Faria | Leniza Mayer, a famosa cantora |
| Álvaro Freire | Silvério |
| Arthur Costa Filho | Carlinhos, o guitarrista |
| Rui Resende | Cazuza, o bêbado |
| Haydil Linhares | Norminha, amiga de Flor |
| Sílvia Cadaval | Jacy |
| Ivanilda Ribeiro | Sofia |
| Francisco Santos | Venâncio, o padre |
| João Gama | Moreira |
| Wilson Mello | Vivaldo |
| Lícia Magna | Filó |
| Dita Corte Real | Inácia |
| Marta Anderson | Mirabel |
Festival de Gramado, Brasil
Kikito de Ouro de Melhor Direção (Bruno Barreto)
Kikito de Ouro de Melhor Trilha Sonora
Prêmio do Júri Especial (Anisio Medeiros)
Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra
Prêmio de Melhor Revelação Feminina (Sônia Braga)
Festival de Gramado, Brasil
Kikito de Ouro de Melhor Filme Brasileiro
Prêmios Globo de Ouro, EUA
Prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira
Durante o carnaval de 1943 na Bahia, Vadinho, um mulherengo e jogador inveterado, morre repentinamente fantasiado de baiana, quando sambava em meio a um bloco de carnaval nas ruas de Salvador. Seu velório é bastante concorrido, apesar de se realizar num domingo de carnaval. E pela conversa que se ouve na sala, sabe-se logo que ninguém é indiferente àquele cadáver. Vagabundo, jogador, gigolô, sujeito formidável - as opiniões se entrecruzam. Anjo e demônio, herói e vilão - assim os presentes recordam Vadinho.
Após o sepultamento, Dona Flor, no sofrimento de sua viuvez, lembra a sua vida com o 1º marido: anos de sofrimento, profundo prazer, humilhações, alegria, espera insone por um marido viciado no jogo e no convívio com outras mulheres. Na sua noite de núpcias, foi abandonada na madrugada. Vadinho troca o leito pela roleta e pelo bordel, em companhia de sua turma - o negro Arigof, o compadre Mirandão, o bêbado Cazuza, o guitarrista Carlinhos, o poeta Clodoaldo.
Na busca desesperada de dinheiro para o jogo, Vadinho era capaz de recorrer ao padre amigo da família, capaz mesmo de surrar Dona Flor para obter algumas economias escondidas. Um homem sem horários, sem medidas, sem disciplina. Um homem que desaparece de casa por quatro dias e que, quando em casa, é capaz de bolinar as próprias alunas de culinária de Dona Flor. Mas, ao lado disso tudo, ele era também um homem maravilhoso. Um mestre na cama, na vadiagem. Uma criança brincalhona e feliz. Um malandro capaz de grandes gestos. Um marido que organizava serenatas para sua mulher. Ao seu jeito, Vadinho amou profundamente Dona Flor.
A viuvez de Flor é assim marcada pela lembrança desse homem que, com a boca ardida de cebola crua, incendiou as suas entranhas. É um ano de luto e sofrimento - uma viúva queimando em fogo lento. Mas é preciso esquecer e Flor casa-se novamente.
O segundo marido é como uma negação do primeiro. Teodoro Madureira, farmacêutico, respeitado e amante da música clássica, é considerado o homem perfeito por Norminha, Dinorah e Jacy, vizinhas de Flor. "Desta vez sim, ela vai ser feliz", diz Dona Rozilda, mãe da agora chamada Dona Florípedes Madureira.
Teodoro é um marido zeloso. Homem caseiro, ele possui um lema: "Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar". Com Teodoro, o sexo é metódico - às quartas e sábados (com direito a bis) - e despido de temperos fortes. Acompanhando o marido, a vida social de Flor se intensifica: conferências de farmácia, ensaios do conjunto "Os filhos de Orfeu", no qual Teodoro toca fagote, abrem para ela novos salões e conhecimentos. Assim se passa um ano deste casamento com um marido gentil, carinhoso e fiel. Um ano de perfeita união de Flor com o segundo tesoureiro da Sociedade Baiana de Farmácia. Um ano de completa paz. Uma paz sem graça.
Ao entrar em seu quarto, após uma exaustiva festa em comemoração do primeiro aniversário de casamento, Flor encontra Vadinho deitado nu em sua cama. O fantasma do primeiro marido não a assusta. Sentia falta dele, era bom conversar com ele de novo. Mas Vadinho voltou para vadiar. Foi "chamado" por Flor para isso.
Flor nega-se a trair Teodoro, mesmo com o fantasma do seu primeiro marido. Um fantasma que, de resto, só ela e mais ninguém pode ver. Vadinho começa a campanha para seduzir Flor. Repelido em princípio, volta os seus poderes para as mesas de jogo. Seus amigos Mirandão e Arigof ganham fortunas e quebram bancas dos cassinos baianos, jogando no número preferido de Vadinho - o dezessete.
Para Flor, torna-se cada mais difícil resistir às investidas dele. Até que ela se entrega novamente ao seu primeiro marido. Ela sente que agora é impossível viver sem um dos dois. Ela precisa de Vadinho e de Teodoro, os dois se completam nela - noite e dia, sexo e segurança , dúvida e certeza.
Baseado no livro homônimo de Jorge Amado, "Dona Flor e seus dois Maridos" é uma deliciosa comédia. Muito bem dirigido por Bruno Barreto, o filme é ambientado na Salvador dos anos 40.
Seu grande destaque é José Wilker, encarnando o personagem Vadinho, de modo que, nas cenas em que ele se acha ausente, o filme perde um pouco em ritmo. Sônia Braga, aos 26 anos, chama a atenção com sua sensualidade, além de se sair muito bem como atriz, tendo inclusive sido indicada pela Academia Britânica de Cinema como a melhor revelação do ano. Betty Lago, aos 21 anos, faz uma ponta no bordel mais famoso do local, em sua primeira aparição no cinema.
A trilha sonora, assinada por Chico Buarque e Francis Hime, é simplesmente maravilhosa.
CAA