
IMITAÇÃO DA VIDA (1934)
Imitation of life
| Outros Títulos: | Espelho da vida (Portugal) Imitación de la vida (Espanha) Lo specchio della vita (Itália) Frauen am Scheidewege (Austria) |
| Pais: | Estados Unidos |
| Gênero: | Drama |
| Direção: | John M. Stahl |
| Roteiro: | William Hurlbut |
| Produção: | Carl Laemmle Jr. |
| Música Original: | Heinz Roemheld |
| Direção Musical: | Heinz Roemheld |
| Fotografia: | Merritt Gerstad |
| Edição: | Philip Cahn, Maurice Wright |
| Direção de Arte: | Charles D. Hall |
| Maquiagem: | Jack P. Pierce, William Ely |
| Efeitos Sonoros: | Joe Lapis, Gilbert Kurland |
| Efeitos Especiais: | John P. Fulton |
| Nota: | 8.1 |
| Filme Assistido em: | 1957 |
| Claudette Colbert | Beatrice 'Bea' Pullman |
| Warren William | Stephen 'Steve' Archer |
| Rochelle Hudson | Jessie Pullman, aos 18 anos |
| Ned Sparks | Elmer Smith |
| Louise Beavers | Delilah Johnson |
| Fredi Washington | Peola Johnson, aos 19 anos |
| Juanita Quigley | Jessie Pullman, aos 3 anos |
| Alan Hale | Martin |
| Henry Armetta | Pintor |
| Wyndham Standing | Jarvis, mordomo de Beatrice |
| Dorothy Black | Peola Jonhson, aos 35 anos |
| Daisy Bufford | Garçonete negra |
| Norma Drew | Professora |
| Sebie Hendricks | Peola Johnson, aos 4 anos |
| Marilyn Knowlden | Jessie Pullman, aos 8 anos |
| Henry Kolker | Dr. Preston |
| Lenita Lane | Sra. Dale |
| Alma Tell | Sra. Craven |
| Walter Walker | Hugh |
Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Filme
Oscar de Melhor Diretor Assistente (Scott R. Beal)
Oscar de Melhor Gravação de Som
Beatrice 'Bea' Pullman é uma jovem viúva com uma filha de 3 anos para criar. Com a morte do marido e pouco dinheiro, tenta sobreviver vendendo xarope de bordo, de porta em porta, o que a obriga a deixar sua pequena Jessie numa creche.
Certo dia, bate à sua porta a negra Delilah Johnson, à procura de emprego. Embora precise de alguém que a ajude, Bea diz à Delilah que infelizmente não tem como pagar por seus serviços, mas esta propõe trabalhar de graça desde que seja aceita com sua filha Peola, de 4 anos. Assim, tem início uma grande amizade entre as duas.
Nascida de Delilah e tendo sangue negro em suas veias, Peola tem, no entanto, a pele clara. Embora criada com todo o carinho pela mãe e por Bea, e tendo Jessie como se fosse uma irmã, Peola rejeita sua raça e se torna uma garota revoltada. Num dia chuvoso, quando Delilah vai ao seu colégio entregar-lhe uma capa e uma sobrinha, é mal recebida por uma professora, por achar que deve haver algum engano, já que o colégio é restrito a crianças brancas. Peola tenta se esconder de sua mãe mas, vista por esta, diz não reconhecê-la e sai correndo pelas ruas sem qualquer agasalho.
Após deliciar-se com as panquecas feitas por Delilah, cuja receita é mantida em segredo, Bea tem a idéia de abrir um pequeno ponto de vendas do xarope de bordo e, principalmente, das panquecas de Delilah. O negócio é um sucesso e, em seis meses, elas faturam US 15 mil. Certo dia, Elmer Smith, que se apresenta como um especialista em panquecas, sugere à Bea que passe a industrializar a massa da panqueca, vendendo-a em caixas de 500 gramas. Uma empresa é, então, constituída, na qual 20% do capital seriam colocados no nome de Delilah, mas esta se nega a ser sócia, preferindo continuar como a empregada de Bea. Esta, entretanto, abre uma conta bancária em nome de sua amiga, a fim de depositar a parte que julga ser dela por merecimento, já que nada estaria ocorrendo se não fosse a receita de Delilah. Elmer torna-se o gerente geral da nova empresa.
O empreendimento é um enorme sucesso e, em um ano, 32 milhões de caixas da "Massa para Panquecas da Tia Delilah" são vendidas. O tempo passa e o sucesso aumenta a cada ano. Já adolescentes, Jessie e Peola freqüentam universidades distintas. Na realidade, Peola pretendia largar tudo, sair de casa e começar uma vida nova num local onde pudesse se passar por uma pessoa branca. Graças aos apelos de Delilah, Bea conseguiu convencer a jovem a cursar a faculdade, na Virginia, numa Universidade para alunos negros.
Ao celebrar o 10º aniversário do crescente sucesso das massas para panquecas, Bea conhece Steve Archer, um rico ictiologista amigo de Elmer, e os dois terminam apaixonados. Steve sugere que se casem logo, mas Bea prefere esperar que sua filha chegue de férias da Universidade, para que o conheça. No dia em que isso ocorre, Delilah recebe uma carta informando-lhe que Peola fugiu do campus universitário, embora fosse uma estudante exemplar. Bea decide acompanhar Delilah em sua viagem até o Estado da Virginia, ocasião em que pede à filha que dê toda a atenção a Steve.
As duas encontram Peola trabalhando como Caixa de um restaurante. Delilah entra primeiro e, ao se aproximar da filha, esta a insulta e diz ao patrão que não sabe quem é aquela mulher negra. Bea entra, em seguida, e confirma para o proprietário que se trata de mãe e filha. Desesperada, Peola sai correndo e desaparece.
Ao retornarem à Nova York, Bea e Delilah encontram Peola em casa. Esta pede desculpas à mãe, mas lhe diz que está indo embora porque não suporta admitir ser uma negra. Antes de partir, diz que não pretende voltar a vê-la e que, mesmo que venham a se encontrar casualmente na rua, passará por ela como se não a conhecesse. Delilah pede-lhe em vão que não a obrigue a renegá-la, pois não suportaria tamanho sofrimento.
Por outro lado, Bea descobre que sua filha adolescente apaixonou-se por Steve, embora note que este não corresponde aos anseios da jovem, a quem trata como a uma futura enteada.
A saída de Peola deixa Delilah de cama. Médicos são chamados, mas o que se sente é que a dor da perda da filha é maior que a vontade de continuar vivendo. Antes de morrer, ela pede à Bea que encontre e cuide de sua filha.
No funeral de Delilah, Peola chega arrasada, sentindo-se culpada pelo ocorrido. Abraçando-se à urna mortuária, pede desculpas à mãe dizendo-se uma miserável egoísta. Bea cumpre a promessa feita à amiga e passa a cuidar de Peola, que concorda em voltar para a Universidade.
Steve volta a procurar Bea, quando mais uma vez insiste para que se casem o mais cedo possível. Entretanto, ela lhe responde que só dará esse passo quando estiver convencida de que sua filha o esqueceu. Ele se despede, garantindo-lhe que vai esperar por ela o tempo que for necessário.
Baseado num livro de Fannie Hurst, "Imitação da Vida" é a primeira e melhor adaptação dessa obra para o cinema. Realizado pelo cineasta John M. Stahl, o filme trata da relação quase fraterna entre duas mulheres, uma branca e outra negra, bem como, dos problemas que elas enfrentam com suas respectivas filhas, principalmente com Peola, filha de cor clara da negra Delilah.
Esse relacionamento é historicamente significativo por ser tratado nos anos 30, quando nos Estados Unidos a discriminação racial era muito forte.
Stahl nos brinda com um excelente trabalho, sendo ajudado pelas magníficas atuações de Claudette Colbert e Louise Beavers, levando "Imitação da Vida" a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme, prêmio perdido para "Aconteceu Naquela Noite", também protagonizado por Claudette Colbert, quando esta foi agraciada com a famosa estatueta de Melhor Atriz.
Curiosidade
Recebi um e-mail perguntando-me se o xarope vendido por Bea não seria de boldo. Até onde sei, das folhas de boldo faz-se um chá bastante recomendado para combater determinados problemas digestivos. O xarope de bordo eu o conheci em Québec, sob a denominação francesa de "sirop d'érable (em inglês, "maple syrup"). É extremamente doce, com ótimo sabor, produzido a partir da seiva da árvore de mesmo nome, cuja madeira é muito utilizada em marchetaria e cuja folha é o maior destaque da bandeira canadense.