
ADIVINHE QUEM VEM PARA JANTAR (1967)
Guess who's coming to dinner
| Outros Títulos: | Devine qui vient dîner? (França) Indovina chi viene a cena? (Itália) Adivina quién viene a cenar esta noche (Espanha) Rate mal, wer zum essen kommt (Alemanha) |
| Pais: | Estados Unidos |
| Gênero: | Drama, Romance |
| Direção: | Stanley Kramer |
| Roteiro: | William Rose |
| Produção: | Stanley Kramer |
| Design Produção: | Robert Clatworthy |
| Música Original: | Frank De Vol |
| Fotografia: | Sam Leavitt |
| Edição: | Robert C. Jones |
| Figurino: | Joe King |
| Guarda-Roupa: | Joe King, Jean Louis |
| Maquiagem: | Helen Hunt, Ben Lane, Joe DiBella |
| Efeitos Sonoros: | Robert Martin, Clem Portman, Charles Rice |
| Efeitos Especiais: | Geza Gaspar |
| Nota: | 8.7 |
| Filme Assistido em: | 1968 |
| Sidney Poitier | Dr. John Wade Prentice |
| Katharine Hepburn | Christina Drayton |
| Spencer Tracy | Matt Drayton |
| Cecil Kellaway | Monsenhor Mike Ryan |
| Katharine Houghton | Joanna 'Joey' Drayton |
| Beah Richards | Sra. Prentice |
| Roy Glenn | Sr. Prentice |
| Tom Heaton | Peter |
| Virginia Christine | Hilary St. George |
| Isabel Sanford | Matilda 'Tillie' Binks |
| Grace Gaynor | Judith |
| Barbara Randolph | Dorothy |
| D'Urville Martin | Frankie |
| John Hudkins | Taxista |
Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Roteiro Original
Oscar de Melhor Atriz (Katharine Hepburn)
Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra
Prêmio de Melhor Ator (Spencer Tracy)
Prêmio de Melhor Atriz (Katharine Hepburn)
Prêmio Nações Unidas (Stanley Kramer)
Prêmios David di Donatello, Itália
Prêmio de Melhor Produção de um Filme Estrangeiro (Stanley Kramer)
Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Filme
Oscar de Melhor Direção (Stanley Kramer)
Oscar de Melhor Ator (Spencer Tracy)
Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (Cecil Kellaway)
Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (Beah Richards)
Oscar de Melhor Direção de Arte
Oscar de Melhor Edição
Oscar de Melhor Trilha Sonora
Prêmios Globo de Ouro, EUA
Prêmio de Melhor Filme - Drama
Prêmio de Melhor Direção (Stanley Kramer)
Prêmio de Melhor Roteiro
Prêmio de Melhor Ator em um Drama (Spencer Tracy)
Prêmio de Melhor Atriz em um Drama (Katharine Hepburn)
Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante (Beah Richards)
Prêmio de Melhor Revelação Feminina (Katharine Houghton)
Filha de um rico e liberal proprietário de um jornal de São Francisco, Matt Drayton, e de sua mulher, Christina, a jovem Joanna, de 23 anos, foi criada ouvindo os pais combaterem qualquer tipo de discriminação, principalmente no que tange ao relacionamento entre brancos e negros.
De férias, no Havaí, ela conhece e se apaixona pelo Dr. John Wade Prentice, médico negro, dez anos mais velho que ela, sendo por ele correspondido. Ao concluir uma série de palestras na Universidade local, o médico deve retornar à Genebra, onde é diretor da Organização Mundial de Saúde. Decidida a se casar com ele, Joanna pede-lhe que, em sua viagem de volta à Suíça, ele passe um dia na Califórnia a fim de conhecer seus pais. Assim, os dois viajam juntos para São Francisco. Do aeroporto, antes de seguirem para a casa de Joanna, a jovem decide passar pela Galeria de Arte da mãe, mas não a encontra. A Sra. Hilary St. George, que trabalha com Christina, mostra-se curiosa em relação ao jovem casal.
Uma vez em casa, Tillie, empregada negra da família há mais de 20 anos, recebe mal o médico por achar que, sendo de cor, não é digno de Joanna. Christina chega, logo a seguir e, após se sentir chocada com a notícia inesperada, recupera-se e passa a apoiar a filha, principalmente por vê-la tão feliz. Na ocasião, a jovem lhe explica que John deve seguir no dia seguinte para Nova York e, logo depois, para Genebra, enquanto ela deverá permanecer uma semana em São Francisco, antes de seguir para a Suíça a fim de se casar com ele.
O Sr. Drayton chega do jornal e também se sente chocado com a notícia. Embora se comporte de forma extremamente educada com o médico, não nega ser difícil para ele aceitar aquela situação. Pedindo licença, vai até seu escritório, de onde liga para o jornal e pede que levantem nos arquivos todas as informações sobre o médico. Minutos depois, é informado que o Dr. John Prentice é um homem de fama mundial, formado com louvor pela Universidade Johns Hopkins em 1954, tendo lecionado na Universidade de Yale e, em seguida, sido professor de medicina tropical, em Londres, antes de assumir uma diretoria na OMS; do seu currículo, constam ainda a publicação de dois livros e uma lista imensa de monografias e homenagens; no que tange à sua vida pessoal, foi casado com Elizabeth Bowers, com quem teve um filho, mas ambos morreram em um acidente em 1959.
John procura os pais de Joanna, em particular, aos quais diz que, se não houver o consentimento deles, não haverá casamento pois, embora ame demais a jovem, não quer ser responsável por um desentendimento na família, o que certamente a faria sofrer. Tal colocação deixa o Sr. Drayton sentindo-se ainda mais pressionado a tomar uma decisão em menos de um dia.
Enquanto isso, quando John se comunica com os pais, que residem em Los Angeles, para lhes informar que se acha em São Francisco de passagem para Genebra, Joanna toma o telefone e os convida para virem a São Francisco e jantarem em sua casa naquela noite.
A curiosa e fofoqueira Sra. Hilary, inventando uma desculpa, vai à casa dos Drayton a fim de observar o que está ocorrendo por lá. Percebendo suas reais intenções, Christina a demite no ato. Logo a seguir, chega ao local o Monsenhor Mike Ryan, um dos maiores amigos da família. Ao tomar conhecimento da situação, fica muito feliz e passa a dar a maior força aos dois jovens.
Às 19 horas, o Sr. e a Sra. Prentice chegam para o jantar. A exemplo do que está ocorrendo com os pais de Joanna, a mãe de John apóia a decisão do filho, enquanto seu pai mostra-se ainda mais radical que o Sr. Drayton. Várias encontros se sucedem entre os diversos envolvidos: Christina e a Sra. Prentice; o Monsenhor e o Sr. Drayton; John e o pai; o Sr. Drayton e o Sr. Prentice; o Sr. Drayton e a Sra. Prentice.
Ao final, depois de reunir todos na sala de estar, inclusive a empregada Tillie, o Sr. Drayton, num discurso emocionante, faz uma análise perfeita da situação, mostrando principalmente os problemas e dificuldades que o jovem casal vai ter que enfrentar, junto à sociedade cheia de preconceitos, e dizendo que, mesmo assim, não pode deixar de apoiar a decisão da filha. Em seguida, convida todos a passarem para a sala de jantar.
Produzido e dirigido pelo cineasta Stanley Kramer, "Adivinhe Quem Vem Para Jantar" é um ótimo e inesquecível filme. A trama se passa ao longo de um dia, quando duas famílias, uma branca e a outra negra, são surpreendidas com a inesperada informação de que seus respectivos filhos decidiram se casar. Assim, num pequeno espaço de tempo, as duas famílias têm que superar problemas de preconceito racial, principalmente por parte dos pais homens. As mães, ao contrário, logo após o primeiro impacto da notícia, passam a apoiar a decisão de seus filhos. É interessante observar o preconceito por parte da empregada negra da família da noiva, quando ela tenta persuadir o jovem médico de cor a abandonar seus planos de casamento.
Alguns críticos colocam que os Drayton só apoiaram o casamento da filha pelo fato do noivo negro ser um médico internacionalmente famoso; que, se ele fosse um negro viciado em drogas, a união dos dois não seria por eles apoiada. A pergunta que faço é: será que eles apoiariam o casamento da filha no caso do noivo ser um branco viciado? Na minha opinião, foi mais do que acertada a colocação de um noivo negro educado, famoso, de boa índole, pois, somente dessa forma, o não apoio à filha seria, com certeza, atribuído ao preconceito racial.
Na época, já com a saúde bastante abalada, Spencer Tracy teve negadas quaisquer coberturas por parte das Companhias de Seguro, de modo que, Stanley Kramer e Katharine Hepburn decidiram levar à frente o projeto considerando que, no caso da morte de Tracy durante as filmagens, os dois bancariam um novo ator para concluí-las. Na realidade, Spencer Tracy faleceu duas semanas após o término do filme.
Nos últimos minutos, as lágrimas derramadas por Katharine Hepburn, durante o comovente discurso proferido pelo personagem de Spencer Tracy foram, segundo ela própria, verdadeiras, pois ambos sabiam que aquele seria o último filme deles. Eles foram amantes por muitos anos mas Tracy, sendo católico, jamais tomou a decisão de se divorciar de Louise Treadwell, com quem foi casado por 44 anos.
Além do excelente trabalho realizado por Stanley Kramer, "Adivinhe Quem Vem Para Jantar" nos brinda com um roteiro perfeito, diálogos inteligentes, a bela trilha sonora de Frank De Vol e um ótimo elenco. Katharine Hepburn, como de costume, está maravilhosa e elegante como a Sra. Drayton. Apesar de doente, o velho Tracy também nos emociona. Merecem ainda destaques as atuações de Beah Richards, Cecil Kellaway, Sidney Poitier e Isabel Sanford, esta última como a empregada Tillie.