
A FILHA DE RYAN (1970)
Ryan's daughter
| Outros Títulos: | La fille de Ryan (França) La figlia di Ryan (Itália) Ryans Tochter (Alemanha) |
| Pais: | Reino Unido |
| Gênero: | Drama, Romance |
| Direção: | David Lean |
| Roteiro: | Robert Bolt |
| Produção: | Anthony Havelock-Allan |
| Design Produção: | Stephen Grimes |
| Música Original: | Maurice Jarre |
| Fotografia: | Freddie Young |
| Edição: | Norman Savage |
| Direção de Arte: | Roy Walker |
| Figurino: | Jocelyn Rickards |
| Maquiagem: | Charles E. Parker |
| Efeitos Sonoros: | Gordon McCallum, John Bramall, Winston Ryder, Ernie Grimsdale |
| Efeitos Especiais: | Robert MacDonald |
| Nota: | 8.3 |
| Filme Assistido em: | 1971 |
| Robert Mitchum | Charles Shaughnessy |
| Trevor Howard | Padre Hugh Collins |
| Christopher Jones | Major Randolph Doryan |
| Sarah Miles | Rosy Ryan |
| John Mills | Michael |
| Leo McKern | Thomas 'Tom' Ryan |
| Barry Foster | Tim O'Leary |
| Marie Kean | Sra. McCardle |
| Evin Crowley | Maureen |
| Arthur O'Sullivan | Sr. McCardle |
| Niall O'Brien | Bernard |
| Douglas Sheldon | Motorista |
| Gerald Sim | Capitão |
| Niall Toibin | O'Keefe |
| Donal Neligan | Namorado de Maureen |
| Owen Sullivan | Joseph |
| Pat Layde | Policial |
| Philip O'Flynn | Paddy |
Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Fotografia
Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (John Mills)
Prêmios Globo de Ouro, EUA
Prêmio de Melhor Ator Coadjuvante (John Mills)
Prêmios David di Donatello, Itália
Prêmio de Melhor Produção de um Filme Estrangeiro
Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Atriz (Sarah Miles)
Oscar de Melhores Efeitos Sonoros
Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra
Prêmio de Melhor Filme
Prêmio de Melhor Direção (David Lean)
Prêmio de Melhor Atriz (Sarah Miles)
Prêmio de Melhor Ator Coadjuvante (John Mills)
Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante (Evin Crowley)
Prêmio de Melhor Fotografia
Prêmio de Melhor Edição
Prêmio de Melhor Figurino
Prêmio de Melhor Trilha Sonora
Prêmio de Melhor Direção de Arte
Prêmios Globo de Ouro, EUA
Prêmio de Melhor Atriz em um Drama (Sarah Miles)
Prêmio de Melhor Ator Coadjuvante (Trevor Howard)
No ano de 1916, em plena 1ª Guerra Mundial, em Kerry, Irlanda, uma das pessoas mais respeitadas é o Padre Hugh Collins, um homem sempre atento a tudo que ocorre no local, confessor e conselheiro da grande maioria de seus moradores.
Thomas Ryan é o proprietário do único Pub do vilarejo, local onde obviamente se reúne um grande número de seus habitantes. Sua filha, Rosy, uma jovem extremamente romântica, sonha com o dia em que encontrará alguém com quem possa se casar e constituir uma família feliz.
Com sua sexualidade à flor da pele, Rosy termina se casando com Charles Shaughnessy, seu ex-professor. Viúvo, Charles é um perfeito cavalheiro e um homem de um enorme coração. Mais velho que ela, esta logo descobre que ele não tem maiores interesses por sexo, o que a deixa triste e infeliz. Na época, independentemente da guerra mundial, grupos revolucionários irlandeses lutavam com o fim de conseguirem a independência da Irlanda do Império Britânico, contando com o apoio da quase totalidade dos habitantes locais.
Algum tempo depois, chega à cidade o Major Randolph Doryan, a fim de assumir o destacamento militar britânico da região. O Major Doryan é um veterano da 1ª Guerra, condecorado com a Cruz de Victoria por seus feitos no campo de batalha, de onde saiu ao ter uma de suas pernas marcada por um sério ferimento. Doryan conhece Rosy no Pub e esta sente-se fortemente atraída por ele. Michael, conhecido como o idiota local, presente na ocasião, irrita o oficial a ponto dele sofrer um colapso nervoso, ao relembrar os maus momentos passados nas trincheiras da guerra. Ao se recobrar do mesmo, é confortado por Rosy e os dois terminam com um apaixonado beijo, interrompido com a chegada ao Pub de Tom Ryan. No dia seguinte, eles se encontram numa floresta e se tornam amantes. Rosy, finalmente, sente-se sexualmente realizada.
Charles começa a desconfiar da fidelidade da esposa, mas não toma nenhuma ação. Quando ele leva um grupo de estudantes até a praia, encontra as pegadas de Rosy e Doryan que levam até uma gruta. Mais tarde, já em casa, descobre algumas conchas da praia juntas aos pertences de Rosy, mas prefere não falar sobre o assunto. Entretanto, Michael, que tinha visto os dois amantes e roubado o uniforme de Doryan, espalha pela cidade o 'affair' entre eles. Rosy passa a ser detratada por grande parte da população, por ter-se tornado uma mulher adúltera e, principalmente, por estar ligada a um oficial britânico, considerado inimigo dos ideais de independência do povo irlandês.
Certa noite, no meio de uma forte tempestade, o líder revolucionário Tim O'Leary e seu grupo chegam ao Pub, onde pedem a Ryan que os ajude a recolher, na praia, um carregamento de armas alemães. Ryan denuncia a operação aos britânicos, mas segue até a praia onde assiste à retirada das armas do mar ainda revolto. Logo a seguir, quase todos os habitantes do vilarejo chegam à praia para ajudarem os revolucionários.
Terminada a operação, O'Leary e seus seguidores são parados na estrada pelo Major Doryan e seus homens. Ao receber ordem de prisão, o revolucionário tenta fugir mas é alvejado e preso por Doryan.
Charles diz à Rosy que tem conhecimento de sua infidelidade, mas que está disposto a esquecer tudo se ela der um ponto final em seu relacionamento com o oficial britânico. Entretanto, naquela mesma noite, ele observa a esposa sair ao encontro do major. Na manhã seguinte, ao perambular pela praia, Charles é encontrado pelo Padre Collins, que o convence a voltar para casa.
Embora Rosy declare que seu caso com Doryan acha-se definitivamente encerrado, Charles, a essa altura, encontra-se decidido a romper com seu casamento. É quando uma multidão chega ao local onde eles se encontram, acusando Rosy de ter informado a guarnição militar britânica sobre o carregamento de armas que resultou na prisão de O'Leary. Enfurecidos, os participantes tosquiam os cabelos dela e rasgam suas roupas, sendo detidos com a chegada do Padre Collins.
Enquanto isso, Doryan caminha pela praia quando encontra Michael. Este o leva até um local onde se acham algumas armas, inclusive dinamite, que não haviam sido recuperadas. Quando Michael se afasta, Doryan comete suicídio ao detonar os explosivos, por achar que sua presença em Kerry só trouxe humilhação à Rosy, a mulher que ama.
No dia seguinte, Charles e Rosy deixam o vilarejo, por se terem tornado motivo de chacota. Enquanto o casal toma o ônibus que os levará à Dublin, Padre Collins tenta convencê-los a não terminarem com seu casamento.
"A Filha de Ryan" é mais um excelente filme do início dos anos 70. Realizado pelo maior cineasta britânico, David Lean, não chega a ser uma de suas obras-primas, como "Lawrence da Arábia", "A Ponte do Rio Kwai", ou mesmo "Doutor Jivago", mas tem sua marca. É como na pintura: Pode não ser um grande Picasso, mas é um Picasso!
A história é interessante e muito bem escrita por Robert Bolt: um caso de amor extraconjugal entre uma jovem mulher irlandesa e um oficial inglês, tendo, como pano de fundo, o movimento pela libertação do País, do jugo britânico, durante o desenvolvimento da 1ª Guerra Mundial.
A trama gira em torno de questões como o sexo no casamento, infidelidade, religião, comunidade, guerra e, sobretudo, o amor. Os dois principais personagens, Rosy e Charles, cada um a seu modo, tentam lidar com suas emoções e encontrar respostas para questões como o verdadeiro significado da felicidade.
Lean nos brinda com grandes momentos, dentre os quais cito: a cena de amor entre os dois jovens amantes, repleta de simbolismos; a seqüência em que Charles encontra e segue as pegadas de Rosy e do oficial britânico, imaginando o que pode ter ocorrido e concluindo que sua esposa tem um outro homem em sua vida; o magnífico momento em que os habitantes do vilarejo enfrentam uma terrível tempestade, a fim de recolherem um carregamento de armas que as fortes ondas do mar lançam sobre a praia.
A extraordinária fotografia de Freddie Young, ganhadora do Oscar, a magnífica trilha sonora de Maurice Jarre e as interpretações dos principais atores são outros grandes destaques desse belo filme.
CAA