
PERDOA-ME POR ME TRAÍRES (1983)
| Pais: | Brasil |
| Gênero: | Drama |
| Direção: | Braz Chediak |
| Roteiro: | Braz Chediak, Nelson Rodrigues Fº, Gilvan Pereira, Joffre Rodrigues |
| Produção: | J. B. Tanko |
| Música Original: | Chico Buarque de Hollanda |
| Direção Musical: | Radamés Gnattali, Roberto Gnattali |
| Fotografia: | Hélio Silva |
| Edição: | Rafael Valverde |
| Direção de Arte: | Anna Quadros, Gioconda Coelho, Iaponi Araújo |
| Figurino: | Maria da Conceição Conte |
| Maquiagem: | Josefina de Oliveira |
| Nota: | 6.8 |
| Filme Assistido em: | 1983 |
| Lídia Brondi | Glorinha |
| Nuno Leal Maia | Gilberto |
| Vera Fischer | Judite |
| Rubens Correia | Raul |
| Monah Delacy | Tia Odete |
| Zaíra Zambelli | Nair |
| Anselmo Vasconcelos | Pola Negri |
| Henriette Morineau | Madame Luba |
| Jorge Dória | Médico |
| Ângela Leal | Enfermeira |
| Virgínia Valli | Mãe |
| João Jedes | Amante |
| Flávio Moreira da Costa | Irmão |
| Roberta Priscilla | Glorinha, menina |
Glorinha, garota de 16 anos, mora com o tio Raul e a tia Odete. Reprimida pelo tio, a menina busca um sentido para a vida. Tenta encontra-lo num bordel, para onde vai com a colega de escola e prostituta Nair. Glorinha, porém, assusta-se com o lugar e, depois de se encontrar ali mesmo com o primeiro cliente, um deputado que só chega ao orgasmo recitando pontos de física, ela desiste da prostituição.
No outro dia, a amiga Nair lhe pede para ir ao médico com ela. Grávida, Nair precisou fazer um aborto mas a cirurgia acabou dando errado. Agonizante, a menina pede um beijo à Glorinha, que nega-lhe o pedido.
No dia seguinte, tio Raul pergunta à garota se ela esteve com Nair na tarde passada e ela nega. Ele diz que já sabe de tudo, pois o médico ligou para a casa, atrás de Glorinha, e ele foi até o encontro de Nair. Com raiva por causa do beijo não dado, Nair contou, antes de morrer, tudo o que sabia sobre Glorinha. Raul resolve contar à menina toda a verdade sobre a história de sua família.
Glorinha acreditava que sua mãe tinha se matado e seu pai morrido de desgosto logo em seguida. Mas Raul lhe diz que as coisas, na verdade, não aconteceram bem assim. Seu pai, Gilberto, de uma hora para a outra começou a ter um ciúme doentio da mulher, Judite, e acabou tendo um colapso nervoso. Antes disso, eles viviam em lua-de-mel há dois anos e tomavam banhos juntos todos os dias. A crise começou quando ela recusou abrir a porta do banheiro na hora do banho. Com a recusa da higiene conjunta, uma espécie de regra entre o casal, Gilberto começou a achar que a sua mulher tinha um amante.
Neurótico e obsessivo, internou-se em seguida numa casa de repouso, por vontade própria. Decidiu ficar incomunicável e não recebeu sequer um telefonema nos seis meses de sua estadia na clínica. Um dia voltou para casa sem avisar e surpreendeu a mulher toda arrumada, pronta para sair. Judite estranhou a chegada do marido, mas contornou a situação dizendo que estava saindo para cumprir uma promessa.
Gilberto acreditou e não importunou mais a mulher. No mesmo dia, porém, Raul, seus outros dois irmãos e a mãe de Gilberto apareceram para uma conversa urgente. Raul disse ao irmão que Judite tinha um amante e garantiu que sabia até mesmo o nome dele e a freqüência com que se encontravam. Ele não acreditou no irmão, mas Judite acabou confessando. Não teve um amante e sim vários, prefere os que ainda têm espinhas, já se entregou até mesmo por um "bom dia" e só se arrepende do marido. Ele diz que a culpa foi toda sua e pede perdão à mulher, dizendo: "Perdoa-me por me traíres". Raul então preparou um copo de veneno e obrigou a cunhada a tomar. Ela aceitou e tomou contente, como se estivesse indo ao encontro da sua libertação.
Revelado isto, a história volta para o presente. Tio Raul diz a Glorinha que só contou a verdadeira história à menina porque ela terá o mesmo fim de sua luxuriosa mãe. Nesta conversa derradeira entre Raul e a sobrinha, repleta de subterfúgios e explosões, ele acaba revelando que matou Judite porque ela o repeliu e, antes da cunhada morrer, lhe deu um beijo na boca. Diz ainda que criou Glorinha, cara e corpo da mãe, só para ele. Garante que ama a menina e propõe que eles bebam veneno juntos. Glorinha pede para o tio tomar primeiro e, enquanto ele agoniza, telefona para o bordel dizendo para não desmarcar o encontro do dia seguinte porque ela irá ao encontro do deputado, com certeza. Tio Raul ainda vive mais um pouco para vê-la atirar-lhe o líquido na cara.
Baseado na peça homônima do dramaturgo Nelson Rodrigues, "Perdoa-me por me traíres" é um bom filme brasileiro.
Realizado pelo cineasta Braz Chediak, o filme brinda os espectadores com uma excelente trilha sonora, com músicas de Chico Buarque de Hollanda e direção musical de Radamés e Roberto Gnattali, bem como, com ótimas interpretações.
Como na maioria dos filmes adaptados da formidável obra de Nelson Rodrigues, "Perdoa-me por me traíres" apresenta um desfecho surpreendente e violento.