
VENUS (2006)
Venus
| Pais: | Reino Unido |
| Gênero: | Comédia Dramática |
| Direção: | Roger Michell |
| Roteiro: | Hanif Kureishi |
| Produção: | Kevin Loader |
| Design Produção: | John Paul Kelly |
| Música Original: | David Arnold, Corinne Bailey Rae |
| Fotografia: | Haris Zambarloukos |
| Edição: | Nicolas Gaster |
| Direção de Arte: | Emma MacDevitt |
| Figurino: | Natalie Ward |
| Efeitos Sonoros: | Peter Baldock, Nick Baldock, Danny Hambrook, Emily Rogers |
| Efeitos Visuais: | Val Wardlaw, Stephen Elson, Garrett Honn |
| Nota: | 7.5 |
| Filme Assistido em: | 2007 |
| Peter O'Toole | Maurice |
| Jodie Whittaker | Jessie |
| Leslie Phillips | Ian |
| Vanessa Redgrave | Valerie |
| Tim Faraday | Policial |
| Daniel Cerqueira | Cirurgião |
| Sam Spruell | Diretor do Hospital |
| Richard Griffiths | Donald |
| Bronson Webb | Namorado de Jessie |
| Cathryn Bradshaw | Jillian |
| Philip Fox | Médico |
| Beatrice Savoretti | Garçonete |
| Lolita Chakrabarti | Enfermeira do Centro de Saúde |
| Carolina Giammetta | Enfermeira do Centro de Saúde |
| Harvey Virdi | Professor da Escola de Arte |
| Marlene Sidaway | Enfermeira do Hospital |
| Christine Bottomley | Enfermeira do Hospital |
Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Ator (Peter O'Toole)
Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra
Prêmio de Melhor Ator (Peter O'Toole)
Prêmio de Melhor Ator Coadjuvante (Leslie Phillips)
Prêmios Globo de Ouro, EUA
Prêmio de Melhor Ator em um Drama (Peter O'Toole)
Círculo de Críticos de Cinema de Londres, Inglaterra
Prêmio Ator Coadjuvante Britânico do Ano (Leslie Phillips)
Prêmio de Melhor Revelação Britânica do Ano (Jodie Whittaker)
Maurice e Ian são velhos amigos e veteranos atores ingleses. Maurice, apesar de octogenário, continua trabalhando como ator, em pequenas participações em filmes e séries para a TV. Quando se acham juntos, trocam remédios, discutem os inconvenientes da senilidade e observam, mesmo que apenas por hábito, o corpo das mulheres que cruzam seu caminho.
Certo dia, Maurice recebe a notícia de que talvez tenha um tumor na próstata e, apesar do choque inicial, logo demonstra tranqüilidade e até mesmo um certo conformismo com a iminência de seu próprio fim. No entanto, quando Jessie, uma jovem de vinte e poucos anos, filha da sobrinha de Ian, chega com o objetivo de cuidar do tio-avô, Maurice logo passa a assediá-la claramente e ela, por vaidade, interesse ou curiosidade, corresponde em parte aos avanços do velho ator, o qual, por sua vez, não se ilude com relação às intenções da jovem. Por outro lado, Ian logo perde a paciência com Jessie, que também não faz o menor esforço para agradá-lo.
Maurice compreende que sua beleza ficou no passado e jamais procura exibir algum grau de virilidade diante de Jessie. Os dois passam a sair juntos com freqüência, visitando parques, pinacotecas e museus. Na "The National Gallery", ela fica fascinada com a "Venus" de Diego Velázquez. Não se iludindo com relação aos interesses da garota, ele tem consciência de que ela o está usando, mas aceita isso como um preço razoável a pagar para ter acesso às pequenas liberdades que ela lhe concede.
Quando o problema de sua próstata se agrava, ele é internado num hospital e a tem retirada. Jessie o acompanha. Ao esclarecer que se acha impotente, não se importando sequer de permitir que ela veja seu cateter, símbolo inquestionável de sua decadência masculina, Maurice desarma a jovem por não representar perigo algum, o que abre caminho para que ele a seduza com aquilo que, ele sabe, despertará o interesse de Jessie: sua relativa fama. Ao tomar conhecimento que ela gostaria de desfilar em passarelas, Maurice consegue que ela trabalhe nua como modelo para um grupo de alunos de arte. Por outro lado, tentando mais uma vez satisfazê-la, banca uma tatuagem que ela gostaria de ter em sua mão.
As coisas se complicam quando ele a flagra, em seu flat, a fazer sexo com um namorado. Irritado, ele os expulsa de lá. Na ocasião, forma-se um tumulto e ele é deixado caído após ser nocauteado pelo companheiro de Jessie. Pouco tempo depois, ela retorna sozinha, o encontra, chama o serviço de emergência pelo 911 e o acompanha até o hospital, onde permanece cuidando dele.
Ao ser liberado, ainda bastante doente, ele insiste em viajar com ela até uma cidade do litoral, onde cresceu. Ela concorda em acompanhá-lo. Uma vez lá, os dois vão à beira-mar, onde ele lhe pede para que o ajude a tirar seus sapatos, a fim de poder molhar os pés na água salgada. Vendo-o um pouco cansado, ela o ajuda a sentar-se. Pouco depois, nota que ele acaba de morrer.
Após os funerais, Jessie retorna ao ateliê, como modelo, retira a roupa e se deita de costas para ser retratada exatamente como mostra a pintura de Velázquez.
"Venus" é um ótimo filme inglês. Realizado pelo cineasta sul-africano Roger Michell, narra a história de dois pacatos e idosos atores que, de uma hora para outra, têm suas vidas radicalmente modificadas com a chegada de uma bela jovem, sobrinha-neta de um deles.
A partir de um roteiro cheio de altos e baixos, assinado por Hanif Kureishi, embora oferecendo diálogos inteligentes em vários momentos, Michell realiza um trabalho consistentemente bom, do início ao fim. Um de seus méritos é o de tentar fugir de determinados clichês que, provavelmente estariam presentes num filme norte-americano. Entre os diversos temas abordados, destacam-se a amizade, a solidão, a doença e a chegada da velhice.
A história é, sem dúvida, comovente, mas acredito que teria ganho uma maior força se tivesse se mantido dentro do gênero dramático, dispensando, portanto, os momentos mais leves próprios de uma comédia romântica.
O grande nome do filme é, sem sombra de dúvidas, o do veterano ator irlandês de 74 anos, Peter O'Toole, merecedor de um Oscar por sua magnífica atuação. Leslie Phillips, Jodie Whittaker, estreando no cinema aos 24 anos e a grande dama do teatro e do cinema britânicos, Vanessa Redgrave, num pequeno papel, completam o elenco principal.