Sinopse
Victor e Elizabeth formam um casal que vive de dar golpes em pessoas com algum dinheiro. Ele tem cerca de sessenta anos e ela em torno de uns trinta. Suas vítimas são, geralmente, profissionais que estejam reunidos em Congressos ou Convenções na França ou na Suíça.
Num desses golpes, Betty senta-se ao lado de Robert Chatillon em um Cassino da França. Ele está a participar de um Congresso na cidade e aproveita o tempo livre para se distrair numa mesa de roleta. Ela puxa conversa e, depois de algum tempo, ele a convida para um drinque no bar do hotel. Lá, ela toma conhecimento de que se trata de um homem casado que vive em Clermont-Ferrand. Ela se apresenta como sendo diretora de uma Companhia de Seguros. A uma certa distância, Victor acompanha cada movimento.
Em um dado momento, ela lhe pede a gentileza de comprar um maço de cigarros. Assim, enquanto ele se afasta para atender ao seu pedido, ela coloca uma boa dose de soníferos na bebida dele. Ao voltar com o cigarro e esvaziar o seu copo, Robert é por Betty induzido a levá-la até seu apartamento, aonde ele já chega morrendo de sono. Nesse momento, Victor entra em ação e rouba uma boa soma do dinheiro ganho por Robert na roleta, enquanto sua parceira preenche vários cheques e falsifica a assinatura de sua vítima.
De volta à Paris, Victor já fala no próximo golpe a ser dado quinze dias depois, desta vez na pequena cidade de Sils Maria, localizada próxima à St. Moritz, na Suiça, quando da realização de um Congresso de Odontologia. Betty lhe informa que vai se passar por uma loura russa, conforme passaporte que tem em nome de Sissi Petrovnah. Por outro lado, diz a Victor que vai esperá-lo lá, na data marcada, pois pretende viajar imediatamente para descansar um pouco nos Alpes suíços.
Na data marcada, Victor a encontra no hotel que abrigará o Congresso em companhia de um senhor jovem. Ela o apresenta como sendo Maurice Biagini. Quando tem uma oportunidade a sós com Victor, a agora Sissi lhe diz que Maurice é o tesoureiro de um grande grupo internacional que está levando para as Antilhas cerca de 5 milhões de francos suíços para uma operação de lavagem de dinheiro. Ainda segundo ela, os dois deverão partir dentro de dois dias para a Ilha de Guadalupe onde a operação será concretizada. Embora ache tentador, Victor acredita que o golpe não é viável por ser algo muito grande para o porte deles. Sissi, entretanto, está disposta a seguir em frente sozinha. Ainda em Sils Maria, usando a tática de sempre (fazer com que a vítima caia em sono profundo), os dois entram no apartamento de Maurice para observarem detalhes da maleta usada para carregar o dinheiro, documentos, cartões de crédito, etc.
Mudando de idéia na última hora e usando bilhetes de classes mais econômicas, Victor embarca nos mesmos vôos para Genebra, depois Paris, e finalmente Guadalupe. Na primeira oportunidade, ele consegue trocar a maleta que carrega o dinheiro por outra igual cheia com jornais velhos. Instalados em um hotel à beira-mar, os dois vigaristas descansam em cadeiras de praia quando são abordados por dois homens que estão à procura de Sissi, a mando de Maurice. Victor tenta reagir, mas é dominado e os dois são levados até a casa de um tal Sr. K.
Lá, ao perguntar por Maurice, Sissi é levada até um toalete onde o encontra morto dentro de uma banheira. O Senhor K os ameaça de morte se não lhe entregarem a maleta com os 5 milhões de francos suíços. Victor vê-se obrigado a entregar sua maleta, mas ao ser aberta, verificam que ela só contém 2,8 milhões. Pressionados para que entreguem também a diferença de 2,2 milhões, o esperto Victor convence o Sr. K de que, se houve roubo, o mesmo só pode ter sido cometido por Maurice, já que nem ele nem Sissi conhecem o segredo que abre a tal maleta.
Assim, suas vidas são poupadas e os dois são largados à noite numa praia deserta à cerca de 5 km do hotel em que se acham hospedados. Cansados, dormem ali mesmo, mas ao acordar pela manhã, Sissi verifica que Victor foi embora sem ela, levando obviamente os 2,2 milhões de francos suíços que roubara de Maurice. De volta à Europa, Betty consegue finalmente localizar seu antigo parceiro em St. Moritz. Victor tenta convencê-la de que não ficou com nenhum dinheiro do golpe contra Maurice, mas as evidências fazem com que sua farsa caia. Alegando que só conseguiu ficar com 1,5 milhões de francos suíços, diz que vai lhe entregar a metade, ou seja, 750 mil. Não querendo discussão, Betty diz que os aceita e os dois se abraçam.
Comentários
“Negócios à Parte” é uma inteligente e deliciosa comédia dramática, com alguns toques de suspense. Escrita e dirigida pelo grande cineasta francês Claude Chabrol, sua trama gira em torno de um casal de vigaristas que vive a dar golpes em profissionais participantes de Congressos realizados em cidades francesas e suíças.
Um dos pontos que mais me agradam neste filme é que, ao contrário dos filmes americanos, Chabrol não apela para a violência e os efeitos especiais. A história é desenvolvida num clima de humor sofisticado e, no final, ainda nos brinda com uma inesperada reviravolta. Aliás, um filme que conta com as presenças de Chabrol e Isabelle Huppert já possui o indicativo de que merece ser visto.
No caso específico de “Negócios à Parte”, há um ingrediente a mais. Trata-se da presença de Michel Serrault, que rouba todas as cenas em que aparece, tornando-se o maior destaque do filme. Ele e Huppert demonstram possuir uma excelente química ao trabalharem juntos.
CAA