Sinopse
Frédérique é uma bela e rica mulher de trinta e poucos anos que se alterna entre seu excelente apartamento em Paris e sua bela casa junto ao mar de Saint Tropez. Certo dia, ao passar por uma ponte da capital francesa, ela se depara com Why, uma jovem igualmente bela, que ganha a vida a desenhar corças nas calçadas das ruas e pontes da cidade. Fascinada pela jovem, cerca de oito a dez anos mais nova que ela, Frédérique contribui com 500 francos para a caixinha da artista e, encostada no parapeito da ponte, fica a admirar o seu trabalho.
Depois que termina seu trabalho e se prepara para deixar o local, Why se aproxima dela para agradecer-lhe por sua generosa contribuição. As duas iniciam uma conversa enquanto caminham juntas, até que chegam ao apartamento da milionária. Esta convida Why para um chá, aceito pela jovem com a condição de poder tomar um banho.
No dia seguinte, Frédérique viaja para Saint Tropez levando Why como companhia. Em sua casa do litoral, ela mantém dois amigos gays, Robèque e Albert, que não têm uma atividade estabelecida, mas que a ajudam sempre que solicitados. A primeira impressão de Why em relação a eles não é das melhores.
Frédérique leva a amiga para conhecer parte de suas propriedades e, ao entrarem em um de seus iates, pergunta à jovem se ela gosta de fazer amor. Quando Why lhe responde que é virgem, ela não acredita. Why reitera sua afirmação, alegando que não tem motivo para mentir, até porque não tem orgulho desse seu estado.
À noite, durante um jogo de pôquer, Why fica de fora apenas observando os jogadores. Paul Thomas, um arquiteto que participa do jogo, não tira o olho dela, sendo por esta correspondido. Quando Frédérique decide terminar com o jogo e todos se retiram, Why lhe diz que vai dar uma saidinha por estar com um pouco de enxaqueca. Enciumada, Frédérique pede que Robèque e Albert a sigam. Quando os dois voltam, dizem a ela que tudo indica que Paul conquistou Why, pois os dois entraram juntos no apartamento dele.
Na manhã seguinte, Why volta para casa quando Frédérique já se encontra tomando o café-da-manhã. A jovem lhe conta como foi sua noite com o arquiteto. Frédérique lhe deseja muitas felicidades, mas, doente de ciúmes, vai ao encontro de Paul, a quem seduz, fazendo inclusive com que ele falte a um encontro que havia marcado com Why. À tarde, ao voltar para casa em companhia do arquiteto, Frédérique comunica a todos que os dois estão indo juntos para Paris. Paul pede desculpas à Why, enquanto Frédérique reconhece ser ela muito egoísta.
Ao voltarem de Paris, Frédérique conta à Why como a viagem foi maravilhosa, como ela e Paul se acham apaixonados, bem como, que ele vai passar a morar na casa. Why, embora enciumada, demonstra não estar aborrecida com as decisões dela, mas Robèque e Albert se mostram incomodados e são por Frédérique expulsos. Os três passam a viver em harmonia, com Why inclusive dizendo que ama os dois. No fundo, entretanto, ela sente a perda de Paul.
Certo dia, ao acordar, Why encontra um bilhete de Frédérique dizendo-lhe que ela e Paul estão indo à Paris por um a dois dias, pois ele tem um negócio urgente a resolver. Inconformada, Why decide viajar também para a capital francesa, onde pega Frédérique de surpresa. Why lhe diz que não pode mais viver sem os dois, que viajou para ficar com ela e Paul. Frédérique, que sempre incentivou essa afeição a três, responde-lhe que o amor dela a enoja.
O telefone toca e, ao atendê-lo, Frédérique diz a Paul que o está esperando. Why continua a falar do amor que sente por ela e por Paul, mas termina afirmando que vai embora imediatamente e que ela não vai mais vê-la. Em seguida, abraçando-a por trás e fazendo-lhe um gesto de carinho, retira de sua bolsa um punhal e o crava nas costas de Frédérique.
O telefone volta a tocar e, ao perceber que se trata de Paul, Why lhe diz que o está esperando para jantarem juntos no quarto. Assim, com o corpo de Frédérique estirado no chão, Why aguarda na cama a chegada do arquiteto. Minutos depois, Paul chega e abre a porta de entrada do edifício.
Comentários
“As Corças” é mais um ótimo filme do grande mestre francês, Claude Chabrol. Inteligentemente escrita, a trama explora os temas do ciúme e da obsessão, transformando o que poderia ser um simples melodrama num perfeito e absorvente thriller psicológico.
Embora sem fazer uso de cenas de sexo e nudez, Chabrol consegue manter uma tensão sexual e um clima de suspense ao longo de todo o filme até sua cena final. Nesta, o cineasta deixa em aberto o encontro entre Paul e Why, permitindo que o espectador faça uso de sua imaginação.
A fotografia de Jean Rabier, presente na maioria dos filmes de Chabrol, é um dos pontos que merecem ser destacados, assim como, a edição de Jacques Gaillard. No elenco, o grande nome é o de Stéphane Audran, mulher do cineasta, no papel de Frédérique, seguido pelos de Jacqueline Sassard e Jean-Louis Trintignant. “As Corças” marca o 18º e último filme da carreira de Jacqueline Sassard, que abandona o cinema aos 28 anos de idade.
CAA