Sinopse
Em 1870, um grupo de jovens revolucionários retorna de uma temporada na Suiça para a pequena cidade russa onde moram. Eles planejam derrubar o regime vigente através do uso da violência, por acreditarem ser essa a única chance de reformarem a velha sociedade russa.
O País acha-se alarmado, pois todos pensam em uma revolução sangrenta e implacável. Os liberais estão em alerta, mas ninguém tem idéia do poder e das reais intenções dos ativistas. Estes, por sua vez, aguardam o retorno do organizador, Peter Verkhovenski, um monstro frio e exaltado, o qual deve trazer consigo Nikolaj Stavrogin, considerado a alma do grupo.
Peter, filho do professor humanista, Stepan Verkhovenski, é fascinado pela beleza de Stavrogin e pelo seu desprezo para com a vida dos outros. Este, realmente, não hesita em deixá-lo matar a mulher com quem se casara por provocação, a fim de seduzir Lisa, a filha do velho governador covarde e estúpido da cidade. Pedro é investido pelo ódio que orienta todas as suas ações. É ele quem manipula o seu grupo de fanáticos que acabará por queimar os bairros populares da cidade. É ele, também, que deliberadamente põe em perigo a vida do próprio pai, abandonando-o antes de morrer assistido por Lisa.
Um de seus membros, o impressor Ivan Sjatov, homem do povo e honesto, decide sair da Organização. Não sem medo, ele aguarda as reações de Peter e Stavrogin. Numa reunião, Peter prega o assassinato de Sjatov, quando este chega batendo forte na porta, à procura de ajuda para sua mulher, que acaba de voltar pra ele e que se acha em trabalho de parto. A Sra. Virginska o atende e parte ao seu lado para ajudar Maria. Peter afirma aos presentes que o filho é de Stavrogin.
Depois que a criança nasce, Maria e Sjatov fazem planos para o futuro, quando um mensageiro de Peter bate à porta e lhe informa que o chefe mandou dizer que tudo está acertado para que ele deixe a Organização, precisando apenas que ele informe o local exato onde escondeu o prelo. Sjatov diz à Maria que vai sair por pouco tempo e se dirige ao local onde Peter se encontra, sendo friamente morto por este.
Terminado o assassinato, Peter se dirige à casa de Kirilov, um jovem arquiteto e ex-seminarista, que se acha atormentado diante de uma profunda crise religiosa e moral. Ao vê-lo, ele o induz ao suicídio, chegando a ditar o seguinte bilhete de despedida: “Eu, Aleksei Kirilov, declaro a todo o mundo que esta manhã, no parque, matei Ivan Sjatov por traição e denúncia à Organização. Liberdade, Igualdade, Fraternidade, ou Morte. Kirilov, cavalheiro, seminarista russo, e cidadão do mundo civilizado”.
Depois que Kirilov se mata com um tiro na boca, Peter coloca o tal bilhete em um local bem visível e deixa o local.
Comentários
Baseado na obra "Os Demônios", de Dostoievski, o filme é uma crítica às ideologias de democratas, socialistas, fanáticos religiosos e ultraconservadores. Realizado pelo cineasta polonês Andrzej Wajda, “Os Possessos” é um drama razoavelmente bom. Na realidade, para mim ficou o sentimento de uma obra inacabada. Com efeito, no início, o filme passa a mensagem de que o País, que sabemos ter dimensões continentais, se acha alarmado com a iminência de uma revolução sangrenta e implacável e o que vemos é uma meia-dúzia de fanáticos incendiar bairros de uma pequena cidade onde moram, além de assassinar dois membros do próprio grupo.
O papel de Omar Sharif é basicamente desprezível e poderia até ter sido dispensado. A trama gira em torno dos personagens Sjatov e Peter Verkhovenski, o primeiro por ser o mais razoável e simpático, e o segundo por ser o grande vilão, frio e exaltado.
Apesar de o filme apresentar algumas falhas, Wajda consegue realizar um bom trabalho na direção.
CAA