Prêmios
Prêmios Goya - Academia Espanhola, Espanha
Goya de Melhor Atriz (Verónica Forqué)
Indicações
Prêmios Goya - Academia Espanhola, Espanha
Goya de Melhor Figurino
Goya de Melhor Maquiagem
Goya de Melhor Direção Artística
Goya de Melhor Direção de Produção
Goya de Melhor Som
Goya de Melhores Efeitos Especiais
Goya de Melhor Atriz Coadjuvante (Rossy de Palma)
Sinopse
Kika, uma jovem maquiadora e aspirante à atriz, é chamada à casa de Nicholas Pierce, um escritor norte-americano radicado na Espanha, a fim de maquiar o corpo do enteado deste, Ramón, e deixá-lo apresentável para o velório. As circunstâncias da morte Ramón são bastante suspeitas, fato desconhecido pela jovem que realiza seu trabalho conforme combinado.
Acontece que Ramón não se achava morto, já que o mesmo desperta durante o trabalho de maquiagem. Na conversa que se segue, ele lhe fala sobre sua vida, dizendo ser um fotógrafo de lingerie que não tem sabido lidar com a morte suspeita de sua mãe, a qual ele atribui a um assassinato por parte de Nicholas, tendo em vista alguns trechos por ele lidos no diário dela. Sentindo-se mutuamente atraídos, os dois iniciam um relacionamento e Kika vai morar com ele.
No entanto, durante tal relacionamento, Kika tem um caso secreto com Nicholas. Para piorar as coisas, Ramón tem que fugir do constante cerco promovido por Andrea Caracortada, uma bizarra apresentadora de um programa sensacionalista de TV, com quem teve um caso e que é também ex-amante de Nicholas. Na realidade, Andrea, que veste figurinos de Jean Paul Gaultier, é uma mulher obcecada por temas mórbidos para seu programa de TV. Suspeitando que Nicholas seja um serial killer, ela acredita que, espionando também a vida daqueles que, de alguma forma, são próximos do escritor, poderá render-lhe um grande furo jornalístico.
Por outro lado, Juana, empregada de Kika e Ramón, é irmã de Pablo, um ex-ator pornô que, preso, recebe uma licença por boa conduta. Disfarçado de penitente (picao), ele participa da procissão da Sexta-feira Santa, em San Vicente de la Sonsierra, uma das mais importantes e conhecidas manifestações religiosas da Espanha. Assim, ele escapa da custódia e se refugia no trabalho de sua irmã. Depois de pedir dinheiro à Juana e fazer-lhe algumas carícias íntimas, já que no passado ela costumava ter relações sexuais com o irmão, na tentativa de impedi-lo de estuprar outras mulheres e se meter em encrenca, Pablo entra no quarto de Kika e a estupra.
Uma denúncia anônima faz com que dois policiais acorram ao local, aonde chegam enquanto o estupro se acha em andamento. Pablo consegue fugir para o telhado do edifício, onde se masturba. No momento em que a vigilante Andrea Caracortada está entrando no prédio, uma gota de sêmen cai em seu rosto. Humilhada pela traumática experiência, Kika a revive quando Andrea a explora em seu sensacionalista programa televisivo.
Comentários
Embora bem inferior à maioria das obras de Pedro Almodóvar, “Kika” é um bom filme. Aqui, o grande cineasta espanhol utiliza-se de um tratamento humorístico para falar de temas fortes como violência, morte, estupro, lesbianismo, traição, além de apresentar uma sátira sobre a mídia, mais especificamente sobre os talk shows que invadiram as grades de programação das televisões.
Responsável pelo roteiro e pela direção, Almodóvar se sai bem nas duas áreas. Por outro lado, o uso de ambientes e trajes coloridos dá um contraste irônico à pesada trama que recebe, nas cenas do estupro, um tratamento nitidamente humorístico.
No elenco, Verónica Forqué se movimenta entre a comédia e a tragédia de forma maravilhosa. Como coadjuvantes, Victoria Abril, Àlex Casanovas e, principalmente, Rossy de Palma, acham-se igualmente ótimos.
CAA