
O CHEIRO DO PAPAYA VERDE (1993)
L'odeur de la Papaye Verte (França)
| Outros Títulos: | Mui du du xank (Vietnã) O odor da Papaia Verde (Portugal) Der Duft der grünen Papaya (Alemanha) Il profumo della Papaya Verde (Itália) |
| Pais: | França, Vietnã |
| Gênero: | Drama |
| Direção: | Anh Hung Tran |
| Roteiro: | Anh Hung Tran |
| Produção: | Christophe Rossignon |
| Design Produção: | Alain Nègre |
| Música Original: | Tôn-Thât Tiêt |
| Música Não Original: | Frédéric Chopin, Claude Debussy |
| Fotografia: | Benoît Delhomme |
| Edição: | Nicole Dedieu, Jean-Pierre Roques |
| Figurino: | Jean-Philippe Abril |
| Guarda-Roupa: | Danielle Laffargue |
| Maquiagem: | Amélie Vinson-Rouffio |
| Efeitos Sonoros: | Michel Guiffan, Joël Faure, Laurent Lévy, François Waledisch |
| Efeitos Especiais: | Michel Naudin |
| Nota: | 8.5 |
| Filme Assistido em: | 1994 |
| Tran Nu Yên-Khê | Mùi, aos 20 anos |
| Man San Lu | Mùi, aos 10 anos |
| Anh Hoa Nguyen | A velha Ti |
| Hoa Hoi Vuong | Khuyen |
| Ngoc Trung Tran | O pai |
| Thi Loc Truong | A mãe |
| Vantha Talisman | Thu |
| Van Oanh Nguyen | Sr. Thuan |
| Keo Souvannavong | Trung |
| Gérard Neth | Tin |
| Nhat Do | Lam |
| Thi Hai Vo | A avó |
| Thi Thanh Tra Nguyen | Mai |
| Lam Huy Bui | O médico |
| Xuan Thu Nguyen | O antiquário |
| Tho Phuong | O cabeleireiro |
| Xian Loi Phan | Músico |
| Xian Dung Phan | Músico |
Festival Internacional de Cannes, França
Prêmio da Juventude
Prêmio Camera de Ouro (Anh Hung Tran)
Prêmios César - Academia das Artes do Cinema, França
César de Melhor Filme Francês (Anh Hung Tran)
Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira
Vietnã, 1950. Com apenas dez anos de idade, Mùi, uma pequena camponesa, deixa sua aldeia e vai trabalhar na casa de uma família burguesa em Saigon. Outrora abastada, a família sofre os efeitos da crise econômica por que passa o País, e das regulares ausências do dono da casa que, sem razão aparente, apanha o dinheiro e desaparece por algum tempo.
Com as ausências do marido, sua mulher é quem controla a economia doméstica, comercializando tecidos a fim de obter algum dinheiro para alimentar seus três filhos, um já adolescente e os outros mais novos, e manter alguma dignidade. Na casa, mora ainda a avó paterna, que não abandona seu quarto no andar superior, desde a morte da neta que teria a idade de Mùi, se fosse viva.
Com a ajuda de Ti, uma empregada já idosa, Mùi se inicia nos afazeres domésticos. Orientada por ela, a jovem aprende as tarefas tradicionais ligadas à sua condição de empregada, tais como, colher mamão verde, ralá-lo, servir as refeições e esfregar o assoalho.
À medida que Mùi cresce e a situação econômica da família cai, a rotina da casa continua a mesma, até o dia em que o marido ausente morre e a viúva não pode mais mantê-la consigo. A essa altura, aos 20 anos, Mùi já é uma bela e sensível mulher.
Diante das dificuldades por que passa a viúva, Mùi é enviada para trabalhar na casa de Khuyen, um amigo da família. Na realidade, Mùi e Khuyen se conheciam desde crianças, uma vez que ele era o melhor amigo do filho mais velho de sua antiga patroa. Agora, ele é um homem sofisticado, pianista clássico, fala fluentemente francês e tem uma amante dispendiosa.
Na nova casa, Mùi continua a mesma pessoa dócil e eficiente. Através de pequenos sinais, nota-se que ela é apaixonada pelo novo patrão, sinais que, a princípio, não são notados por ele. Por outro lado, a amante de Khuyen é uma jovem burguesa inexpressiva, insensível, coquete, contrastando com a beleza simples e a modéstia de Mùi
"O Cheiro do Papaya Verde" é um excelente filme franco-vietnamita. Escrito e dirigido pelo cineasta Anh Hung Tran, o filme nos mostra uma sociedade em plena mutação cultural e econômica, antes dos terríveis conflitos armados e políticos pelos quais passaria, notadamente a Guerra do Vietnã.
Nesse cenário, Anh Hung Tran aborda, principalmente, a miserável condição feminina através da servidão, nesse País dos anos 50/60. Mùi, adolescente ou mulher, não passará de uma serva, de uma família que a emprega ou de seu futuro esposo. Assim, sob a aparência de um final feliz, a condição feminina é fortemente denunciada nesse filme intimista.
O trabalho de Anh Hung Tran é perfeito, no que é fortemente ajudado pela fotografia de Benoît Delhomme. O ritmo, muitas vezes lento, pode desencorajar o espectador mais impaciente, mas essa técnica é essencial para que se possa melhor apreciar a densidade do tema abordado. Os diálogos são mínimos. No segmento final, há uma seqüência de quase meia-hora com muito poucas palavras.
Embora não tenha sido agraciado com um grande número de prêmios, "O Cheiro do Papaya Verde" é um filme imperdível.
CAA