
SEDUÇÃO DA CARNE (1954)
Senso
| Outros Títulos: | Sentimento (Portugal) J'ai tué mon amour (Bélgica) Livia, un amor desesperado (Argentina) Sehnsucht (Alemanha, Austria) |
| Pais: | Itália |
| Gênero: | Drama |
| Direção: | Luchino Visconti |
| Roteiro: | Luchino Visconti, Suso Cecchi d'Amico |
| Produção: | Lux Film, Domenico Davanzati |
| Design Produção: | Ottavio Scotti |
| Música Não Original: | Anton Bruckner, Giuseppe Verdi |
| Fotografia: | Aldo Graziati, Robert Krasker |
| Edição: | Mario Serandrei |
| Figurino: | Piero Tosi, Marcel Escoffier |
| Maquiagem: | Alberto de Rossi |
| Efeitos Sonoros: | Aldo Calpini, Vittorio Trentino |
| Nota: | 8.1 |
| Filme Assistido em: | 1956 |
| Alida Valli | Condessa Livia Serpieri |
| Farley Granger | Tenente Franz Mahler |
| Heinz Moog | Conde Serpieri |
| Rina Morelli | Laura, a governanta |
| Christian Marquand | Oficial |
| Sergio Fantoni | Luca |
| Tino Bianchi | Capt. Meucci |
| Ernst Nadherny | Com. da Praça de Verona |
| Tonio Selwart | Cel. Kleist |
| Marcella Mariani | Clara, a prostituta |
| Massimo Girotti | Marquês Roberto Ussoni |
| Cristoforo de Hartungen | Gen. Hauptmann |
| Marianne Leibl | Mulher do general |
| Cristoforo De Hartungen | General Hauptmann |
| Marianne Leibl | Mulher do General Hauptmann |
| Goliarda Sapienza | Patriota no Teatro |
| Franco Arcalli | Soldado |
| Aldo Bajocchi | Soldado |
| Ottone Candiani | Soldado |
| Nando Cicero | Soldado |
| Claudio Coppetti | Soldado |
Sindicato dos Jornalistas Críticos de Cinema, Itália
Prêmio Fita de Prata de Melhor Fotografia
Festival Internacional de Veneza, Itália
Prêmio Leão de Ouro (Luchino Visconti)
Em 1866, Veneza encontra-se sob o domínio austríaco. O movimento pela unificação da Itália acha-se prestes a ganhar força quando o governo italiano assina um pacto de aliança com a Prússia. Ao final da representação de uma ópera de Verdi, os italianos presentes manifestam seu patriotismo ao lançarem panfletos sobre a platéia repleta de autoridades austríacas.
O Marquês Roberto Ussoni, responsável pela manifestação e um dos principais expoentes do movimento clandestino em Veneza, desafia o tenente austríaco, Franz Mahler, para um duelo. Sua prima, a Condessa Livia Serpieri o aconselha a fugir, temendo que sua atitude prejudique o movimento. A seguir, ela se aproxima de Mahler com a intenção de fazê-lo desistir do duelo.
Ao deixar o teatro, entretanto, toma conhecimento que Roberto foi preso. Ela procura o Conde, seu marido, a quem pede que use de sua influência para conseguir a libertação dele, não sendo por este ouvida. Num julgamento rápido, Roberto e alguns de seus companheiros de luta são condenados a um ano de exílio.
No dia seguinte, Livia reencontra Mahler, a quem culpa pela sorte do primo. O tenente nega seu envolvimento no caso e tenta cortejá-la. Na realidade, Mahler é mais conhecido por sua coleção de amantes que por sua bravura. Ela procura evitá-lo mas, no fundo, acha-se atraída pelo seu charme.
Quatro dias depois, ela o procura e os dois terminam se amando. A seguir, passam a se encontrar com freqüência num quarto alugado pelo tenente. Depois de algum tempo, numa de suas idas ao encontro dele, Mahler não aparece. Preocupada, ela o procura no alojamento dos oficiais, onde dão-lhe a entender que o tenente acha-se em companhia de outra mulher. Ao voltar para a casa, encontra o marido providenciando a mudança da família para a propriedade que possuem em Aldeno, face à entrada da Prússia na guerra. Mesmo desorientada com a decisão do Conde, Livia consegue que ele adie por 24 horas a partida de Veneza.
Na manhã seguinte, procura Mahler, mais uma vez, sem encontrá-lo. Ao voltar para casa, toma conhecimento que alguém a procurou. Ela vai ao endereço que lhe foi deixado na esperança de encontrar seu amante. O Conde a segue e, ao chegar ao local determinado, ele a aborda. Ela confessa-lhe que tem um amante. Quando a porta se abre, para sua surpresa, não é Mahler que ela vê, e sim, Roberto, que acaba de retornar à Veneza. Ele lhe fala sobre a guerra, entrega-lhe um saco com dinheiro do movimento e lhe diz que vai partir, na manhã seguinte, a fim de se juntar ao exército italiano.
As palavras de Roberto dão-lhe a confiança de partir. Os primeiros dias em Aldeno são tranqüilos, até que Mahler bate à sua porta em plena noite. No primeiro momento, ela lhe pede que vá embora pois não pretende voltar a ser a mulher irresponsável de Veneza. Cínico e insistente, ele consegue seduzi-la, mais uma vez. Ao amanhecer, ele lhe conta que um colega conseguiu ser declarado inapto para o serviço militar, por insuficiência cardíaca, e voltar para casa, através de um atestado médico falso que lhe custou 2.000 florins. Loucamente apaixonada, ela se deixa levar por suas palavras e lhe entrega todo o dinheiro do movimento revolucionário que lhe havia confiado Roberto.
Algum tempo depois, Livia recebe uma carta de Mahler informando-lhe que havia obtido a baixa e que se achava em Verona. Pedia-lhe, entretanto, que não o procurasse por enquanto por ser, muito perigosa a viagem, face à guerra. Ela decide, entretanto, ir ao seu encontro antes que as tropas italianas expulsem os austríacos de Verona. Ao deixar Aldeno, sabia que estava deixando sua casa e sua gente para sempre.
Ao chegar à Verona, ela o encontra morando com uma jovem e bela prostituta, Clara. Ao vê-la, Mahler a insulta, dizendo-lhe que nunca a amou, que seu interesse era apenas o de seduzi-la para arrancar-lhe dinheiro, assim como, que teria sido o responsável pela prisão e exílio de seu primo Roberto.
Revoltada, ela procura o general-chefe das tropas austríacas, a quem entrega a carta na qual Mahler confessava que conseguira a baixa do serviço militar através de um certificado médico fraudulento. Em seguida, deixa o local sozinha, enquanto Mahler é preso e fuzilado por deserção.
"Sedução da Carne" é mais um ótimo filme do grande cineasta italiano Luchino Visconti. Tendo como pano de fundo a ocupação austríaca da região norte da Itália, mais precisamente de Veneza, e os movimentos nacionalistas que lutavam pela unificação do país, na segunda metade do século XIX, Visconti nos apresenta uma bem construída história de paixão, traição e vingança.
Um dos melhores diretores de sua época, o cineasta realiza um trabalho preciso, em total harmonia com a maravilhosa música de Anton Bruckner. A tendência de quem o assiste é a de focar suas atenções para o desenvolvimento do passional e trágico romance vivido por uma condessa italiana e um oficial austríaco. No entanto, não se deve deixar de lado as ações que se desenvolvem em seu entorno, ligadas a uma parte da história italiana, marcada inclusive por grandes mudanças sociais. Nesse contexto, é interessante observar a trajetória descendente da rica e engajada princesa, em oposição ao ascendente movimento nacionalista nascido da tomada de consciência do povo, assim como, o egoísmo dos dois amantes contrapondo-se ao sentimento coletivo manifestado pelos patriotas.
A fotografia de Aldo Graziati é magnífica. No elenco, Farley Granger está ótimo no papel do fraco, cínico e covarde oficial austríaco, mas Alida Valli, com a beleza de seus trinta e três anos e uma atuação maravilhosa, é o grande nome a ser destacado.
CAA